Ao contrário das manifestações de 2018, os novos atos dos caminhoneiros não devem fechar nenhuma rodovia. De acordo com o presidente da Associação

Durante audiência pública realizada hoje (08), na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, o presidente da Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) José da Fonseca Lopes cobrou de forma enfática uma movimentação do governo em benefício da categoria, e voltou a falar em uma nova greve dos caminhoneiros.

De acordo com Lopes, o governo precisa tomar uma atitude “pra ontem” no que diz respeito ao preço do diesel. Logo depois, o presidente da Abcam afirmou que o descontentamento entre os autônomos é muito grande e que uma nova greve pode estar próxima em virtude do “governo não estar prestando atenção”.

“Logo estaremos aí com, no mínimo, 150 mil caminhoneiros deixando de trabalhar. O que é que eles vão fazer da vida? O petróleo é nosso, mas a Petrobras não é. Precisa se tomar uma medida rápida urgente. A coisa está fervilhando aí fora, o descontentamento é muito grande. A gente fica 24 horas monitorando tudo nos grupos (de WhatsApp) e a gente sabe
o que vai acontecer aqui (no Brasil)”, disse Lopes.

A reunião foi solicitada pelos deputados Bosco Costa (PR-SE) e Gelson Azevedo (PR-RJ). De acordo com os parlamentares, os caminhoneiros estão descontentes com a política de constantes reajustes e em virtude desse descontentamento a audiência se fez necessária. Além das questões relacionadas a política de preço do diesel, foram discutidas as medidas do governo em relação a categoria, como o Cartão do caminhoneiro

Os representantes dos caminhoneiros e parlamentares presentes na reunião criticaram a ausência de um representante da Petrobrás na audiência. De antemão, o presidente da estatal, Roberto Castelo Branco havia sido convidado a participar. Entretanto, além de não comparecer não enviou nenhum representante à audiência.

Ameaças a de uma nova greve dos caminhoneiros

 

A Abcam foi uma das entidades envolvidas durante a greve dos caminhoneiros do ano passado. Durante a reunião, Lopes ressaltou a possibilidade da manifestação se repetir em 2019.

“Um alerta: no subterrâneo, está se armando muita coisa ruim, muita coisa feia para desestabilizar esse governo. Eu estou sendo convidado freneticamente para participar disso aí. Se juntar uma greve de caminhoneiros com outros segmentos que envolvem petróleo, vai parar tudo. E eu não sei se quero que isso aconteça”, complementou o dirigente. “Hoje, está sendo feito na calada da noite. Estou sendo convidado para participar de algumas reuniões, mas isso não é do meu feitio. Ninguém quer quebrar o país, mas, se não tomarem o cuidado, isso está próximo de acontecer”, afirmou o presidente.

Além de alertar sobre a possibilidade de uma nova greve, o representante da Abcam ressaltou a importância dos caminhoneiros na eleição do presidente.

“Levei muita porrada para eleger o Bolsonaro. Não estou contra ele, mas algo precisa ser feito. Precisamos de alguma coisa para ontem. Controlar o preço do óleo diesel é uma das coisas que precisa fazer para o caminhoneiro não morrer. Alguma coisa ruim vai acontecer e o governo não está prestando atenção”, complementou.

 

Venda de refinarias da Petrobras também gera insatisfação

 

O presidente da Abcam aproveitou o debate para criticar a iniciativa do governo federal de anunciar a venda de refinarias da Petrobras. De acordo com o presidente, o atual monopólio da estatal poderia ser usado para beneficiar os caminhoneiros.

“Já estão botando 11 refinarias à venda para ficar com apenas duas. Em vez de a Petrobras vender 11 refinarias, deveria é construir mais 11. Nós estamos num país rodoviarista. Quando aumenta o óleo diesel, desgraça todo o sistema. É isso que o governo tem que encontrar uma forma e rápida para reduzir esses aumentos e penduricalhos”, completou Lopes.

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