a categoria resolveu cancelar a greve marcada para esta quarta-feira na Capital. De acordo com informações do sindicato, foi decidido manter as negociações com a diretoria do metrô.

Segundo a ANPTrilhos, a demanda pelo transporte coletivo sobre trilhos chegou a cair 80% durante a pandemia. Atualmente, este número gira em torno de 34% do que era antes, com as medidas de reabertura tomadas por municípios.

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Dessa forma, os sistemas de metrô e trens já acumulam R$ 4 bilhões de perda de receita neste ano e ameaçam parar. O meio de transporte era utilizado por 12 milhões de pessoas por dia no país antes da pandemia da Covid-19.

O transporte sobre trilhos é visto como o mais eficiente para as grandes cidades. No entanto, diante das incertezas, ele pode ser permanentemente afetado, colocando em xeque o modelo de expansão e manutenção da rede por meio de concessões à iniciativa privada. As empresas têm se virado para cortar custos. Entretanto, a redução está longe de ser simples.

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“Estamos falando de transporte de alta capacidade, que não foram feitos e pensados para andar vazios ou não se viabilizam”, diz Joubert Flores, da ANPTrilhos. “Nos ônibus há um ajuste mais fácil de fazer, dá para reduzir algumas linhas. No metrô ou trem, 75% do custo da operação é fixo, tem mão de obra, energia e manutenção que não dá pra cortar. Então baixa 80% da sua receita e você não consegue reduzir 30% do seu custo”, afirma.

Rio de Janeiro tem situação preocupante

A situação do Rio é a mais complicada. Os administradores dizem que não há mais caixa para rodar depois de agosto. O MetrôRio é a empresa privada que assumiu a concessão do serviço, em 1998. Assim, o contrato, antigo, não prevê subsídio para a operação. Portanto, a empresa deve se manter sozinha.

Hoje, cerca de 95% do caixa vem das tarifas pagas pelos passageiros, e o restante vem de publicidade e aluguel de lojas, que também perderam valor com a queda na demanda.

Segundo o presidente da empresa, Guilherme Ramalho, a companhia já perdeu R$ 270 milhões em receita, número que deve chegar a R$ 500 milhões até o fim do ano. De acordo com o executivo, a empresa tem tido um prejuízo mensal de R$ 35 milhões.

“É um problema de liquidez inédito. Não existe paralelo de uma queda sustentada que chegou a 87% no auge da pandemia. E temos uma recuperação muito lenta, com pessoas procurando se deslocar por outros modos”, afirma.

Para reduzir os gastos, os investimentos em melhorias foram todos paralisados, e a empresa precisou suspender contratos de trabalho e reduzir salários. Caso não haja uma solução emergencial, Ramalho diz que prevê um desmonte do setor, com absorção dos passageiros pelo transporte rodoviário, legal ou ilegal — como vans. “O prejuízo fica para o cidadão”, diz.

A Supervia, empresa que opera os trens urbanos da capital fluminense, passa por situação parecida e também ameaça suspender operações. Juntas, as empresas têm demandado um aporte financeiro emergencial do governo do Rio a curto prazo e discutem formas de reequilibrar a operação a médio prazo.

“O Rio pode fechar antes e outras cidades podem aguentar por um tempo, mas uma hora o fôlego vai acabar”, diz Flores, da ANPTrilhos.

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