O presidente dos Correios, general Juarez Aparecido Cunha, durante uma audiência na tarde desta quinta-feira (05) na Câmara dos Deputados, afirmou que a privatização dos Correios, apoiada pelo governo, deixaria sob comando das empresas privadas a parte lucrativa da instituição enquanto a deficitária continuaria sendo paga pelos brasileiros por meio dos impostos.

O setor lucrativo dentro da instituição é o de entrega de encomendas, os serviços postais, por outro lado, são os responsáveis pelo déficit — muito por conta da substituição do envio de cartas por mensagens eletrônicas. “Se parte dos Correios for privatizada, o interessado em adquirir vai querer a parte boa”, ressaltou Cunha.

No ano passado, mais de cinco mil cidades registraram um prejuízo para estatal que soma cerca de R$654 bilhões, enquanto o lucro ficou concentrado em 324 municípios. “O Estado brasileiro ou o cidadão brasileiro que paga impostos vai pagar a conta dos demais municípios”, afirmou Cunha diante deste cenário.

O representante da Secretaria de Desestatização da Economia, Fábio Abrahão, apontou rombo no Postalis, fundo de pensão dos servidores, com mais um motivo para privatização. Abrahão ressaltou que acredita que “é possível manter o serviço postal, manter a universalização, e o mais importante, resolver esses déficits gigantescos que foram abertos”.

Por outro lado, Cunha questionou se além da questão financeira, quem é a favor da privatização calculou o custo social dos Correios, que distribui milhões de livros a todos os municípios.

Por fim, a audiência decidiu levar dois projetos de lei em tramitação na Câmera que poderiam garantir a continuidade dos Correios como empresa pública ao presidente da casa.

Fonte: Tec Mundo.

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