As vendas de caminhões cresceram 47% no acumulado do ano, em comparação ao mesmo período de 2018. No total, foram emplacados 39 mil unidades de caminhões nos cinco primeiros meses, isso sinaliza que está se consolidando um movimento de investimentos das empresas em frotas próprias, na esteira da elevação de custos com o preço tabelado do frete. Os dados são da Fenabrave (Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores), divulgados nesta segunda-feira (3).

Algumas empresas já realizaram investimento em frota própria, como a produtura de soja e milho Amaggi, da família do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, o frigorífico JBS e a fabricante de alimentos Predilecta. Já a  processadora de grãos americana Cargill estuda seguir o mesmo caminho desde o ano passado – a empresa informou que ainda não tomou uma decisão, pois aguarda a posição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a validade da tabela. Por outro lado, a concorrente Bunge informou que aguarda uma decisão do Supremo “avaliando diversas possibilidades em relação ao frete de seus produtos” e disse, em nota, que “confia que o Poder Judiciário afastará a tabela de fretes mínimos o mais rápido possível”.

O tabelamento do preço do frete foi implantado por lei em agosto, após a paralisação dos caminhoneiros, desde então diversos setores reclamaram da medida, por causa do custo. De acordo com um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em 2018, os gastos com transporte rodoviário subiram em média 12%. A média acabou questionada no Supremo, mas, enquanto as ações não são julgadas, vale a tabela, conforme decisão liminar da corte.

Segundo economista da LCA Consultores, Bráulio Borges, não há outra “explicação plausível”para a continuidade do crescimento nas vendas que não seja a demanda das empresas investindo em frotas próprias. Isso porque a atividade está estagnada não só na economia como um todo, mas o fluxo de caminhões nas rodovias com pedágio, calculado pela ABCR, entidade que representa as concessionárias, não cresce desde o inicio de 2018.

Fonte: O Estadão.

 

 

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