Curitiba tem a menor incidência de covid-19 entre as maiores capitais. Na imagem ônibus do transporte coletivo na Avenida Sete de Setembro com mensagens alusivas ao uso de máscaras pela população - Curitiba, 18/05/2020 - Foto: Daniel Castellano / SMCS

Em função da pandemia do novo coronavírus, o país que atualmente possui uma média de mais de 2500 mortes por dia adotou uma série de medidas de isolamento social. Com isso, a demanda de passageiros no transporte urbano diminui consideravelmente. 

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Nesse cenário, procuramos entender quais os desdobramentos sobre o setor em função da queda brusca dos rendimentos das empresas que administram o transporte em todo país. 

Para isso, falamos com Otávio Cunha, presidente executivo da NTU (Associação Nacional das empresas de Transportes Urbano).

Otavio Cunha, presidente da NTU
Otavio Cunha, presidente da NTU

Tamanho do prejuízo

 

De acordo com o executivo, o prejuízo do setor é nacional, e as empresas não possuem capacidade de superar a queda da demanda nesse ritmo. 

“No começo da pandemia, foi registrada  uma redução de 80% da demanda de passageiros. Nós chegamos ao final do ano com 60% da demanda. No entanto, oferecendo um serviço em média de 80%. Então, durante todo esse tempo e até hoje, o setor vem ofertando mais serviço do que demanda. Agora em Janeiro, fevereiro, com a segunda onda, o setor perdeu novamente a demanda, nós estamos operando hoje com 50% da demanda e tendo que ofertar serviço em torno de 70, 80 e até 100% em algumas cidades. Existe muita pressão sobre o transporte público nesse momento. Ele é classificado como um vetor de transmissão, então não é possível diminuir a frota, e o prejuízo aumenta. Cada vez, o buraco fica maior.”

O Metrô de São Paulo registrou prejuízo de R$ 1,7 bilhão em 2020 em comparação a 2019. Dessa forma, refletindo o impacto da pandemia do coronavírus no transporte

 

Consequências diretas

 

Com  a falta de capital, as empresas começam a acusar o golpe da queda na demanda de passageiros. Problemas de manutenção na frota começam a aparecer, assim como dificuldades de pagamento de funcionários.

“Essas greves em função das dificuldades de pagamento aconteceram bastante o ano passado inteiro, e a tendência desse ano é continuar. Ao todo, foram demitidos pelo setor 60 mil trabalhadores. Isso significa uma queda de 15% na mão de obra.”

As medidas emergenciais como a suspensão de contratos, criada pelo Governo, ajudaram a diminuir o impacto do acordo com o executivo. 

“Com o estabelecimento daquela Lei da rede emergencial de proteção às empresas, de uma maneira geral, a gente teve algum resguardo de poder e para manter o serviço. Porque em algumas situações o Governo estava pagando. Assim como, a redução de salário, redução de jornada, ajudaram o setor. No entanto, essas ajudas acabaram. Então, a situação é muito grave por causa disso. Vai ser cada vez mais comum convivermos com as paralisações e as greves. Nós estamos estimando aí que 50% das empresas se permanecer nesse cenário serão paralisadas ou entregarão os serviços para os municípios operarem.

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O governo de São Paulo sugeriu nesta quinta-feira (11) que as empresas façam um escalonamento nos horários de entrada dos funcionários.

O veto do governo

No ano passado, chegou-se a criar um projeto de lei para que o Governo auxiliasse as empresas de transporte. Ao todo, seriam R$ 4 bilhões de investimentos para cidades que possuíssem mais de 200 mil habitantes. No entanto, após o veto do presidente Jair Bolsonaro, e posterior desaprovação na câmara, a iniciativa não vai acontecer mais.

O veto do Presidente Jair Bolsonaro ao auxílio emergencial para empresas do transporte urbano foi mantido. Em sessão nesta quarta-feira, 17

“Essa foi uma frustração imensa. Porque esse projeto de lei surgiu depois de inúmeros debates, de inúmeras reuniões, de informações prestadas para o Ministério da Economia, a EMTU. Temos aí  um banco de dados que a gente acompanha desde 1994. O primeiro relatório feito pelo relator, deputado Hildo Rocha, continha todas as exigências. Havia o recurso dos quatro bilhões de reais que não seria suficiente para resolver o problema, mas ajudaria muito.”

 

Matéria em colaboração com a Jornalista Priscila Ferreira

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