O preço da soja brasileira deve sofrer um impacto negativo no mercado. Dentre os motivos, estão o possível acordo comercial entre China e Estados Unidos. Juntamente com o avanço da produção argentina. Dessa forma, a queda deve acontecer apesar da redução dos estoques e safra menor no Brasil. Fatores que costumam contribuir para um preço maior.

“No ano passado, a China só tinha opção de comprar do Brasil. Em virtude da guerra comercial e a quebra de safra na Argentina. Neste ano, o país vizinho tem bom volume, por outro lado reduziremos nossa colheita”. É o que avalia o analista de mercado da AgRural, Adriano Gomes.

Soja argentina forte no mercado

A consultoria prevê crescimento de quase 20 milhões de toneladas da soja na Argentina. Totalizando 52 milhões de toneladas na safra 2018/19. Da mesma forma, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-feira (11) uma estimativa pessimista. De acordo com a Companhia haverá queda de 4,9% ante a temporada passada, atingindo 113,5 milhões de toneladas.

Segundo relatório da consultoria Macrosector, apesar da relativa escassez interna, há aumento de produção na Argentina e também nos EUA. Assim, sustentando uma elevação do estoque na safra. Dessa forma é previsto que o preço tenha queda de 4% em relação a 2018, situando-se em R$ 76 por saca (60 kg).

Para Gomes, a indefinição no conflito entre EUA e China e o comportamento do câmbio no Brasil ainda podem influenciar no preço médio da soja. “No ano passado, os preços não eram tão bons em alguns períodos. Mas, houve uma valorização no dólar e nos prêmios acabou elevando a saca no Brasil.” Na Bolsa de Chicago, os contratos mais próximos com preço da soja por volta de US$ 9 por bushel (27,21 kg).

A Conab também estima o crescimento da área plantada de soja em 1,9% na comparação com a safra passada. Assim, aumentaria o correspondente ao plantio de 35,818 milhões de hectares. Apesar da queda de produção, a companhia destacou que ainda se trata de uma produção grande. Provavelmente a terceira maior safra da série histórica.

O superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, explicou que o menor volume se deve à falta de chuvas nas áreas produtoras entre dezembro e janeiro. “Na última safra, não houve esse tipo de problema. Nos próximos meses, a previsão é de chuva acima da média, com volumes consideráveis nas próximas semanas, ajudando a manter a umidade do solo”, declarou em coletiva de imprensa.

Projeções

A Conab estima que a produção de grãos 2018/19 deverá alcançar 253,3 milhões de toneladas, 3,4% superior à safra passada e um aumento de 7,7 milhões de toneladas. De acordo com o levantamento, divulgado nesta quinta-feira (11), o volume seria o segundo maior da série histórica.

Leia: Conab prevê aumento na produção de grãos no Brasil

Contribui para o desempenho a melhora da produção de milho na segunda safra. A colheita prevista do cereal total é de 94 milhões de toneladas, aumento de 16,5% comparado a última safra. “Enquanto o milho da primeira safra perdeu espaço para feijão, cana-de-açúcar e pastagens. Por outro lado, a segunda foi favorecida pela antecipação da colheita da soja e pela possibilidade do aproveitamento integral da janela climática. Assim, criando a expectativa de bons rendimentos na lavoura”, disse Santana.

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