Caminhoneiros criticam nova proposta para tabela de frete

Os caminhoneiros criticaram a nova metodologia para cálculo de fretes mínimos desenvolvida pela Esalq-Log, da USP, debatida em audiência pública nesta terça-feira (14).  A audiência contou com a presença de caminhoneiros autônomos, sindicalistas, empresários de transporte, representantes de entidades de agronegócio e do setor industrial.

Durante o debate, realizado em São Paulo, os caminhoneiros mostraram que ainda existem muitos pontos a serem equilibrados para que o setor afaste a ameaça de uma nova greve.

Os motoristas citaram questões como dificuldades geradas pela ação de atravessadores de carga e os constantes reajustes no preço do diesel pela Petrobras. Por outro lado, o setor privado mencionou ilegalidade do tabelamento, problemas para a produtividade e imposição de custos indevidos.

O economista-chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan,  afirmou que os valores de frete calculados pela tabela da Esalq são menores do que os tabela atual. Com isso, comprovaria que as empresas estão sendo obrigadas a pagar mais pelo frete desde a implementação do tabelamento, em meados do ano passado

Além disso, Furlan defendeu anistia de multas para empresas que desrespeitaram a regra vigente. “Foi imposto custo real, inaplicável, e por isso não faz sentido punir as empresas”, disse Furlan, que foi vaiado por representantes de caminhoneiros.

Para o vice-presidente da Associação dos Caminhoneiros do Sul Fluminense (Acasulf), Nelson de Carvalho Jr, a metodologia proposta pela Esalq-Log resulta em preços mínimos de frete abaixo dos estabelecidos pela regra atual.

“É pior que antes da greve”, disse ele, referindo-se à paralisação dos caminhoneiros de maio do ano passado. “E com o diesel sendo reajustado várias vezes, fica inviável”, acrescentou.

Ele também citou que a entidade representa cerca de 1.000 motoristas autônomos e não está defendendo declaração de greve de caminhoneiros antes do fim das audiências e posicionamento final referente a tabela.

Os reajustes no valor do diesel estão mais espaçados no período atual. Neste mês, mesmo com as polêmicas, foi realizado apenas um reajuste de 5,7%. Cenário diferente do que motivou os protestos de maio do ano passado, quando as atualizações eram feitas quase que diariamente.

Fonte: Folha de S. Paulo.

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